sexta-feira, 15 de julho de 2011

A Light, as Tampas de Bueiros Voadoras e a Favelização na Cidade.

    Parece que o termo "área de risco" está mesmo embrenhado no cotidiano da Light, uma das duas empresas que tem a concessão de serviços de energia elétrica no Rio de Janeiro. Tornou-se um perigo andar pelas ruas do Centro e da zona sul da cidade, por conta de explosões de transformadores subterrâneos da companhia. Há quem diga que não temos mais as balas perdidas. A VIBE agora é campo minado! Um dos casos de maior repercursão foi em Copacabana, em Junho de 2010, quando dois turistas americanos foram atingidos e feridos gravemente com a explosão de dois desses transformadores. Eu lembro que nessa época eu trabalhava para a companhia no setor de recuperação de energia metropolitana. Eu fazia parte de uma pequena equipe coordenada por uma engenheira, pessoa que destoava da maioria ali por sua bonice, humildade e iniciativa. Na ocasião, ela foi chamada a coordenar um dos setores do subterrâneo e questionou-me se eu não queria continuar trabalhando com ela, agora naquele outro setor. Não, obrigado! - Imagina, de lá pra cá as explosões continuam acontecendo.







    Na verdade seis anos trabalhando para a companhia e vendo as coisas ao redor, fizeram eu pedir pra sair alguns meses depois. Enquanto ainda trabalhando na empresa, não demorei muito pra perceber que uma das grandes responsáveis pela favelização contínua no Rio de Janeiro é a própria companhia de eletricidade. Quando fui contratado, a princípio, comecei desenhando projetos de extensão de rede elétrica em comunidades que estavam surgindo principalmente na Baixada Fluminense e Zona Oeste. As pessoas que viviam nessas áreas eram pobres, mas muitas delas possuíam muitos aparelhos elétrico-eletrônicos e algumas já viviam ali por muitos anos e tendo energia elétrica de forma clandestina, pois não havia rede no local. Elas não tinham noção nenhuma do valor de uma conta de luz. A maioria se alegrava com a nossa chegada para projetar a instalação da rede porque desejavam uma eletricidade melhor e que evitasse então as queimas constantes de seus eletrodomésticos. Aqueles que talvez tivessem noção do valor de uma conta de luz eram os que não gostassem da nossa presença. Pra mim era claro como água que, se eu voltasse depois de alguns meses aos locais onde ajudei a projetar redes elétricas, eu encontraria a maioria das pessoas de volta a irregularidade, pois não estavam habituadas pagar conta de luz.  E tendo uma energia elétrica de melhor qualidade e “de graça”, a tendência da comunidade é sempre crescer cada vez mais. Barracos, becos, mais barracos e mais becos... E o tráfico, que tem como uma característica esconder-se covardemente atrás de uma comunidade carente, e que muitas vezes fez com que eu e muitos colegas, impedidos de executar nossos serviços,  justificássemos como  AR - área de risco. Era onde eu observava o erro da Empresa: instalação de modelo de projetos anacrônicos, em lugares de ocupação irregular, facilitando o roubo de energia elétrica e contribuindo para a favelização na cidade. Tudo somado a tradicional má vontade dos governantes em executar uma boa política habitacional, é claro! Pereira Passos que o diga.












































Gatinho sou eu.

Esse é o meu Blog.

Abraço fraterno!

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